Mototurismo – Condições das estradas brasileiras

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Cruzar o Brasil é sempre uma experiência fascinante, mas, para nós motociclistas, o cuidado sempre deve ser redobrado. Um bom planejamento, a escolha certa das estradas, estar com a mecânica da companheira de viagem em dia, viajar apenas durante o dia e sempre equipado com capacete, calça, botas, jaqueta e luvas, são fatores que certamente ajudam a minimizar os riscos.

Deixei São Paulo no último dia de março de 2007, chegando ao Uruguai no dia 12 de abril sem qualquer tipo de problema. Desde que deixei minha terra natal, a cidade do Rio de Janeiro, no dia 11 de março, já foram 4.260 Km rodados.

A condição de nossas estradas é até boa se comparado com o que vi em 2004, quando fiz minha primeira expedição solitária e sofri bastante em alguns pontos da BR 101 e da BR 116. Mas se formos comparar com a condição das estradas uruguaias é até covardia. Não são estradas, mas verdadeiros tapetes de asfalto que fazem da viagem um passeio agradável e relaxante, mas falarei sobre elas em outra oportunidade. Vou dar agora um breve parecer das estradas que percorri até o momento:

1 – BR 101 (Rio – Santos) no trecho Rio de Janeiro a Caraguatatuba
A estrada está bem conservada e os buracos foram tapados, porém é bom ter atenção, pois, por ser uma estrada localizada entre o oceano e a Serra do Mar, as curvas são constantes assim como os acidentes causados pela imprudência de alguns motoristas.

2 – Tamoios no trecho Caraguatatuba até a Carvalho Pinto
As mesmas observações da BR 101, agravado apenas pelas curvas bem fechadas somadas as subidas e descidas da serra.

BR101
BR 101

 

3 – D. Pedro no trecho Jacareí a Campinas
Sem dúvida uma das melhores rodovias do Brasil, porém não tire os olhos do seu marcador de combustível, pois os postos de gasolina são raros. O ideal é entrar na estrada com o tanque cheio para não correr risco de ficar parado no acostamento.

4 – Anhanguera no trecho Campinas a São Paulo
Uma rodovia tranqüila e bem conservada, mas preste atenção no seu retrovisor, uma vez que, devido à boa condição que apresenta, alguns motoristas acham que estão em um autódromo e não pensam duas vezes antes de apertar o acelerador com vontade. Ficar na pista da direita é uma boa opção.

5 – BR 116 (Regis Bittencourt) de São Paulo até a entrada da estrada Graciosa no Paraná
Atenção redobrada nessa estrada que não ganhou a toa o apelido de “rodovia da morte”. Logo na saída de São Paulo, ao entrar na serra, enfrentei um congestionamento grande por conta de um acidente envolvendo um caminhão e uma “cegonha”, chegando a ficar meia hora parado no mesmo lugar. Quando o trânsito foi liberado me senti em um estouro de uma boiada, com caminhoneiros ultrapassando pelo acostamento e motoristas imprudentes aproveitando as curvas para ganhar algumas posições. Os buracos também agravam a situação dessa movimentada estrada, sendo assim amigo motociclista, prefira a luz do dia para viajar.

6 – Estrada Graciosa no trecho BR 116 a Morretes
Uma estrada linda, porém não deve ser encarada como uma estrada, mas sim como um caminho relaxante onde o que vale é a calma para poder apreciar a paisagem. A estrada não tem acostamento e o movimento existe apenas no final de semana, principalmente nos domingos ensolarados quando as pessoas, na maioria curitibanos, aproveitam sua estrutura para passar o dia com a família. Caso esteja chovendo tome muito cuidado, pois na sua parte central os paralelepípedos quando molhados são traiçoeiros. Em 2004 passei por ela com muita chuva e neblina, não ultrapassando 20 Km por hora, e vi um imprudente motorista de uma caminhonete rodando numa de suas curvas e amassando a frente do carro em uma pequena mureta.

7 – Estrada litorânea que leva de Morretes até a pequena Estaleiro, onde de balsa, você cruza o pequeno rio até Joinville em Santa Catarina
Por ser uma estrada secundária, tem pouco movimento, mas, por atravessar pequenas cidades do litoral do Paraná, não se assuste com a quantidade de quebra molas que irá encontrar. Optei por seguir pelo litoral passando pela pequena Barra do Saí e Itapoá, mas não sabia que para chegar até a balsa de Estaleiro teria que enfrentar 30 Km de estrada de terra, lama e areia. Siga por esse caminho apenas se estiver preparado para aventura e para belas paisagens, caso contrário, o mais indicado é voltar para a BR 101 na altura de Guaratuba.

8 – BR 101 no trecho Joinville até Osório no Rio Grande do Sul
Nessa estrada você terá a certeza de que realmente os opostos se atraem. Até Florianópolis você encontra uma estrada duplicada, bem sinalizada e conservada, porém, de Florianópolis até Osório não ouse nem ao menos piscar os olhos, e olha que não estou exagerando. Esse é um dos trechos mais perigosos das estradas brasileiras, pois concentra um alto número de carros e caminhões em uma estrada não duplicada e com muitos buracos. Mas será por pouco tempo. A estrada está sendo duplicada e, pela previsão das placas, em um ano e meio teremos uma outra realidade nessa rodovia que guarda um grande número de acidentes com vítimas fatais. Vale apenas lembrar que, por conta das obras de duplicação, ela está ainda mais perigosa do que de costume, por isso evite ao máximo passar por ela à noite e pense bem antes de fazer uma ultrapassagem. É a sua vida que está em jogo, não a desperdice para ganhar uns poucos minutos!!!

9 – BR 290 (Freeway) de Osório até Porto Alegre
Uma rodovia exemplar. Com pista tripla, acostamento, boa sinalização e asfalto impecável, pode ser trafegada tranquilamente a qualquer hora do dia e da noite. Mas tome cuidado também com os motoristas que aproveitam tudo isso para transformá-la em uma pista de corrida.

10 – BR 116 de Porto Alegre até Pelotas e BR 392 no trecho Pelotas até a pequena Quinta
Tinha pensado em fazer esse trecho pela BR 101 beirando o mar, porém todos os gaúchos com os quais tive a oportunidade de conversar me desaconselharam dizendo que esse trecho da 101 é conhecido como “rodovia do inferno”, principalmente na parte não asfaltada entre Bojoru e Estreito onde é freqüente a interrupção do caminho por conta da maré alta que invade a estrada. A BR 116 nesse trecho apresenta boas condições de asfalto, porém com pista única e alto número de caminhões que seguem em direção ao movimentado porto de Rio Grande, deve ser trafegada com cuidado.

11 – BR 471 no trecho de Quinta até o Chuí
Sem os caminhões que na altura de Quinta seguem na direção do porto de Rio Grande, essa é uma estrada tranqüila com poucos carros. Ela cruza a Estação Ecológica do Taim, por isso é imprescindível que diminua bem a velocidade para não correr o risco de atropelar nenhum animal que, freqüentemente, atravessa a estrada. Por ser uma área de preservação, postos de gasolina são proibidos, então encha o tanque na altura de Quinta, pois serão mais de 100 Km sem ver uma bomba de combustível. Caso tenha algum problema com a sua companheira de viagem ou tenha chegado a hora de uma boa revisão e você não tenha aproveitado a estrutura de Pelotas para fazê-la, sua última opção é a cidade de Santa Vitória do Palmar, 20 Km antes do Chuí, onde poderá encontrar algumas boas oficinas.

Passando por essas estradas deixei a pátria amada para retornar apenas no próximo ano. Estou agora no Uruguai e no próximo relato falarei sobre as belas estradas do país irmão.

Um grande abraço e boas estradas,

Por Rodrigo Ventura em 19/05/2007.