
SOBRE DUAS RODAS HÁ UMA VIDA (Por Kátia Perugini)
Outro dia, estava caminhando pela Coronel Alfredo Fláquer, em Santo André, quando vi um aglomerado de pessoas numa esquina.
Algumas pessoas chegando, outras saindo e todos arriscando palpites:
" - Ele estava em alta velocidade!" - disse uma jovem senhora, pálida.
" - Parece que estava sem capacete" - murmurou outra, quase acusadora.
Ninguém sabia de fato o que havia acontecido. havia marcas de pneus na pista, mas onde estavam os "cacos" ? E que veículo teria sido o pivô de tudo isso ?
Só de duas coisas, todos tinham certeza, havia um rapaz inconsciente prostado no asfalto e uma motocicleta largada há alguns metros dali.
O comentário se espalhava, uns lamentavam, outros acusavam, até que alguém na multidão de ímpeto declarou:
" - Esses motoqueiros são todos doidos, deve ter feito alguma bobagem".
Logo ouvia-se a sirene do resgate que aproximando-se ganhava passagem em meio aquele transito caótico de final de sexta-feira.
" - Tá aqui, o capacete do moço". - falou delicadamente um idosa, que observava tudo.
" - Pobrezinho, será que ele vai morrer!" - lamentou uma garota trêmula e assustada.
O Resgate fazia os primeiros socorros e logo notaram que além do capacete, o jovem moreno de mais ou menos 26 anos, também portava uma mochila com um emblema
de uma empresa de entregas rápidas.
" - Esse aí, é trabalhador". - sussurrou um senhor consigo memso.
O motoboy foi levado para o hospital municipal.
HORAS DEPOIS...
" - Poderia ter sido pior, felizmente não foi fatal". - declarou o cirurgião satisfeito.
Mas a incógnita continuava, a família não compreendia o que teria causado aquilo tudo, e ninguém sabia nada além de suposições.
Foi quando Rafael recobrou a consciência, e contou tudo:
" - Era sexta-feira, final de tarde, tinha uma encomenda muito importante, tinha pressa, sai do túnel e fui ganhando espaço, mas de repente um automóvel fechou o "corredor", tentei freiar, reduzi, depois não vi mais nada".
No trânsito há muitos vilões para o motociclista, o vilão pode ser o próprio veículo. Pode ser um outro, um automóvel, um caminhão, quem sabe um ônibus. O vilão pode ser a má sinalização nas ruas, pode até ser ele mesmo.
Tudo é possível, mas o único vilão que não pode e que nunca deveria existir é o preconceito.
Kátia Perugini, é psicóloga e diretora da ABRAM.
Nota: SOBRE DUAS RODAS HÁ UMA VIDA, é uma Campanha Nacional permanente da ABRAM, lançada em janeiro de 1998, que precisa de seu apoio, buscando conscientização entre motociclistas e motoristas para promoção da paz no trânsito. A campanha é parte integrante do Programa de Prevenção de Acidentes com Motocicletas - PRAM. Participe!
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