Fui de Moto
Presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (ABRAM), Lucas Pimentel conta suas aventuras de moto.
15/03/10 - Por conta da minha vida corrida, nas viagens mais longas, geralmente opto pela rapidez e comodidade do avião. Entretanto, um dia desses resolvi experimentar algo mais radical, ir a um compromisso na capital mineira, que fica a cerca de 600 km de São Paulo, com a minha motocicleta. Como a distancia a ser percorrida não era nenhuma odisséia, fui um dia antes mas sem o exagero de sair de madrugada, levantei-me tranqüilamente, fiz o desjejum e tendo em mãos a mochila arrumada na noite anterior cuidei dos últimos detalhes, por volta das 8 horas saí de casa.
O tempo estava bom e o transito tranqüilo naquela manhã de terça-feira, a sensação prazerosa só apareceu quando deixei para trás o trecho urbano da rodovia Fernão Dias, desta vez estava mesmo na estrada, que avião que nada, o vento passando por mim, a liberdade de movimento e tudo mais que a motocicleta nos proporciona.
Entretanto, como havia algum tempo não fazia grandes viagens de moto, percebi que cometera um erro: Estava com capacete aberto e com aba, embora ele seja mais apropriado para a cidade, mostra-se inapropriado na estrada, a força do vento era tamanha que mesmo com o capacete bem afivelado, a todo instante tinha que arrumá-lo. Felizmente meu garupa estava com capacete fechado e não era rosa, resolvido o problema pelo menos para mim, segui em frente, percebendo uma vantagem de não estar sozinho. Quilômetros depois, outro detalhe que na viagem ficou evidente, a pequena autonomia que o tanque da Shadom com capacidade para 10 litros nos impõe. Não que eu quisesse percorrer enormes distâncias, sei que isso não é aconselhável nem para o motociclista nem para a moto, o que eu queria mesmo era poder optar por paradas mais estruturadas e postos de bandeira mais confiáveis.
Em relação ao desempenho da máquina, nada a reclamar, na reta que maravilha, 120, 130 numa boa, o único problema é que a bolha da moto não era do tamanho ideal para evitar o arrasto do vento, fazer o que? Como não dava para mudar isso, pelo menos naquele momento, continuei minha aventura. Para não dizer que não tive problema com a moto, ao acionar a buzina para agradecer a gentileza de um motorista, percebi que algo estava errado, a buzina não estava funcionando, mais à frente percebi que a seta também parou de funcionar, resolvi então parar e fazer uma verificação, para minha surpresa descobri que a luz de freio e a lanterna também estavam com problemas, como não havia moto mecânica por perto, além disso era por volta de 15 horas e realmente já estava chegando no meu destino, segui em frente e deixei para verificar o problema depois. Depois de mais uma parada, passamos por Betim, Contagem e lá estávamos em Belo Horizonte.
Três dias depois, resolvido tudo, peguei a estrada de volta rumo a São Paulo, aí novas emoções e experiências. Após um bom trecho de tempo bom, começaram a cair uns pingos de chuva, poucos quilômetros depois, o “céu desabou” foi aí que percebi a falta que o par de luva que deixei em casa por puro descuido faz, pelo menos não me esqueci do conjunto para chuva. Felizmente justamente nessa hora não era eu quem pilotava, mesmo assim, tive que colocar minhas mãos entre os braços para não sofrer com os pingos “pontiagudos”.
Bom o fato é que no geral a viagem foi muito agradável, e lembrando dos detalhes que citei, realmente estou pronto para a próxima, aproveitando então que ainda estou com a agenda tranqüila, vou encarar mais um desafio, vou dispensar o avião na minha próxima ida a Brasília, sei que é uma viagem mais longa, são cerca de 1000 quilômetros, mas dessa vez estou mais preparado. Prometo assim que voltar contar tudo a vocês. Sei que alguns motociclistas estão acostumados a viajarem distancias bem maiores, mas o meu relato vem no sentido de estimular os iniciantes para se programarem e vivenciarem essa experiência prazerosa.
Pense nisso e um boa viagem!
Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br