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Palavra do presidente

MOTOCICLISTAS EM PERIGO, A LUTA CONTINUA.



29/04/10 - Acertadamente a prefeitura de São Paulo por meio da Secretaria de Transportes decidiu adotar ações no sentido de enfrentar o desafio de reduzir o elevado número de ocorrências de trânsito envolvendo motociclistas. Em meio a várias reuniões realizadas, imagino que em determinado momento alguém deve ter dito: “Vamos tirar as motocicletas de circulação”. Obrigando o competente jurídico alertar: “Isso de fato resolveria o problema, entretanto, é inconstitucional”. Se de fato isso aconteceu, não é difícil imaginar que um grande silêncio tenha se instalado no recinto nos minutos seguintes da hipotética reunião. Após isso, é muito provável que alguém mais comedido tenha dito: “O grande fator que potencializa as ocorrências de trânsito envolvendo motocicletas é sem dúvida alguma a velocidade, precisamos então fiscalizá-las com mais rigor para própria segurança deles”. Aí alguém do operacional deve ter justificado: “Temos poucos radares com capacidade de flagrar motocicletas, e as novas pistolas em testes são muito eficazes, porém custam cerca de 100 mil reais cada”. O silêncio deve novamente ter entrado em cena, sendo interrompido pela seguinte pergunta: “Quais são as vias de ponto crítico?” O que alguém de pronto respondeu: “Marginais e 23 de Maio”. Levando algum "iluminado" a dizer: “Então, vamos retirar as motocicletas destas vias, principalmente da via expressa da marginal, onde a velocidade máxima permitida é de 90km/h”. Aí deve ter provocado uma imediata, eloqüente e ensurdecedora vibração de todos: “É isso aí”. Obrigando o chefe presente dizer: “Tomemos então todas as providências para que isso seja colocado em prática o quanto antes.” Dando talvez em seguida a seguinte sugestão para assessoria de imprensa: “Vamos divulgar essa importante medida a favor da vida dos motociclistas”. Outra vez todos os presentes gritam: “É isso aí”.

Essa cena descrita acima é o que hipoteticamente eu imagino que tenha ocorrido em relação à decisão de se proibir a passagem das motocicletas pela via expressa da Marginal. Entretanto, esqueceram-se tais benfeitores de ouvirem de fato os motociclistas a quem eles querem defender, e não apenas agendar reunião para comunicar a decisão, pois em razão de não pilotarem motocicleta, mesmo tendo tanta expertise não conseguem compreender na prática o verdadeiro impacto da medida que decidiram implantar.

É fato que a velocidade potencializa a mortalidade e a gravidade nas ocorrências de trânsito, porém, isso também se aplica aos automóveis, mas não por si só, tanto que em determinadas rodovias a velocidade máxima permitida é ainda maior.

Se o que querem de fato é nos proteger, então os mui dignos representantes do poder público precisam saber que além da velocidade, há outros fatores determinantes que a medida em questão não contempla, pelo contrário, potencializa. Daí a nossa enorme preocupação e alerta: Uma motocicleta a 60 Km/h gasta cerca de 30 metros para efetuar a frenagem total, diante disso, uma súbita mudança de faixa do veículo à frente da motocicleta sem a devida sinalização com antecedência é suficiente para desestabilizá-la, provocando colisão ou queda. Além disso, os retrovisores dos automóveis possuem elevado grau de convexidade que proporciona uma incorreta aferição da distância dos veículos vêm atrás. Então, imagine todas as motocicletas que hoje transitam na via expressa da Marginal, utilizando as vias intermediárias que a todo tempo conduzem os motociclistas para a via expressa ou local, ou mesmo na local onde é enorme a entrada e saída de veículos, sendo muitos deles pesados. O que acontecerá ?

Se quiserem de fato a segurança do motociclista, então precisam criar nessas vias faixas para motocicletas nos moldes da implantada na Av. Sumaré, dando ao motociclista esta opção mais segura. Caso isso se monstre eficaz, certamente será adotada. Pensemos nisso!

Lucas Pimentel , 41 anos, é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.
Tel. (11) 3338-2872 ou 2771-5590
E-mail: pimentel@abrambrasil.org.br


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