Palavra do presidente
Associação Brasileira de Motociclistas (ABRAM)
comemora o fim da proibição da circulação de motocicletas nas vias expressas,
mas vê com preocupação a idéia de se proibir à circulação de motocicletas entre os carros.
A ABRAM – Associação Brasileira de Motociclistas, torna público que recebeu nesta quinta-feira (31) o comunicado do DTP – Departamento de Transportes Públicos de São Paulo, declarando a decisão da Secretaria de transportes da cidade de São Paulo, do cancelamento da experiência que proibiria a circulação de motocicletas nas vias expressas das Marginais Pinheiros e Tiete, que estava prevista para início em 11 de fevereiro.
Estamos comemorando a notícia e acredito que a partir do diálogo que a secretaria vem mantendo, será possível encontrar uma solução que tenha efeito eficaz na redução dos acidentes de trânsito trabalhando as causas e não os efeitos.
Entretanto, em relação à discussão em torno da derrubada do veto ao Artigo 56 do CTB, que proibia a circulação das motos entre os carros nos “corredores”, ou mesmo da “Operação Cavalo de Aço” proposta pela Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo, visando a punição dos motociclistas que circularem entre os veículos durante o período do carnaval. A ABRAM vê com muita preocupação, embora esteja pronta para participar das discussões em torno desse tema e de outros que possam contribuir para a prevenção dos acidentes de trânsito, a experiência da associação com o Programa de Prevenção de Acidentes com Motocicletas (PRAM), é que o acidente de trânsito envolvendo motocicleta não ocorre porque o motociclista está no chamado corredor, e sim por causa de alguns fatores que precisam de fiscalização rigorosa:
1) Veículos mudando de faixa ou efetuando conversões sem sinalizar com antecedência;
2) Condutores distraídos falando ao celular;
3) Veículos pesados circulando nas faixas da esquerda;
4) Veículos circulando com documentação irregular;
5) Veículos inclusive motocicletas circulando acima da velocidade permitida.
Por tudo isso, reafirmo que precisamos é de fiscalização, policiamento preventivo e ostensivo, pois nenhuma outra medida pode substituir isso.
Proibir a motocicleta de circular entre as laterais dos carros não resolverá a problemática dos acidentes de trânsito, pelo contrário, uma vez que as motocicletas circularem literalmente entre dois carros os números de acidentes tendem a aumentar, pois o motociclista não terá o campo de visão que lhe é fundamental, além disso, uma motocicleta a 60Km p/h precisa de cerca de 30 metros para efetuar uma frenagem correta, e estando atrás do carro, se o veículo efetuar uma freada brusca o motociclista colidirá e será esmagado pelo que vem atrás.
A ABRAM ainda atribui ao governo a responsabilidade por boa parte dos acidentes de trânsito, uma vez que pessoas sem o devido preparo recebem a autorização (CNH) para conduzir um carro ou uma moto tanto no perímetro urbano quanto nas rodovias, e no caso da moto é ainda mais grave, pois pilotar moto é muito diferente que dirigir automóvel, entretanto, das 30 horas aulas definidas do CTB - Código de Trânsito Brasileiro para o curso de formação de condutores, pouco se ensina sobre motocicletas, quando se deveria focar na pilotagem segura, direção defensiva e manutenção preventiva, assim sendo, o processo de habilitação não cumpre a determinação do CTB que é preparar o condutor simulando as dificuldades que irá enfrentar no dia-a-dia. Isso sim precisa mudar urgentemente.
NOTA: A ABRAM havia programado junto aos seus associados, a realização da mobilização pacífica “SEGURANÇA SIM, DISCRIMINAÇÃO NÃO”, prevista para dia 11/02, caso a proibição de circulação nas vias expressas Marginal e Tiete fosse levada a termo; como a medida foi cancelada, automaticamente a manifestação da ABRAM não mais irá acontecer. Mas a entidade não descarta a realização de uma mobilização nacional nos mesmos termos, em outra data, caso as discussões em torno do veto ao Artigo 56 do CTB se aprofundem.
Lucas Pimentel
Presidente da ABRAM
01/Fev/08